O painel “Encruzilhadas de Resistências: Psicanálise Amefricana e o Terreiro como Saber Negro de Cura Existencial”, apresentado por Kizye Lins no evento Òye: Conexão e Educação no Terreiro-Mundo, promovido pelo Instituto Itéramãxe, Diversitas – Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos – USP e Sesc São Paulo nos dias 10 a 12 de Março de 2026, propõe uma reflexão profunda sobre as relações entre saúde mental, ancestralidade e espiritualidade afro-brasileira. A partir de uma abordagem decolonial, o estudo apresenta a Psicanálise Amefricana como uma prática clínica e epistemológica que dialoga com os saberes dos terreiros, reconhecendo nesses espaços uma fonte legítima de conhecimento, cuidado e resistência cultural.
A encruzilhada como metáfora central: lugar simbólico onde se encontram o trauma colonial e a força da ancestralidade. Nesse encontro, o terreiro é compreendido como um território de cura coletiva, onde o corpo, a memória e o axé se articulam para ressignificar o sofrimento psíquico. A proposta rompe com modelos tradicionais de escuta clínica ao integrar espiritualidade, cultura e experiência comunitária como dimensões fundamentais do cuidado.
Ao reconhecer o terreiro como espaço de saber, filosofia e clínica, a Psicanálise Amefricana se afirma como um movimento de reencantamento da vida e de restituição da dignidade histórica e espiritual dos povos negros.






















